sábado, 24 de maio de 2008

Noite Escura

Em uma noite escura,

De amor em vivas âncias inflamada,

Oh! ditosa ventura!

Saí sem ser notada,

Já minha casa estando sossegada.

_*_

Na escuridão, segura,

Pela secreta escada, disfarçada,

Oh! ditosa ventura!

Na escuridão, velada,

Já minha casa estando sossegada.

_*_

Em noite tão ditosa,

E num segredo em que ninguém me via,

Nem eu olhava coisa,

Sem outra luz nem guia

Além do que no coração me ardia.

_*_

Essa luz me guiava,

Com mais clareza que a do meio-dia

Aonde me esperava

Quem eu bem conhecia.

Em sítio onde ninguém aparecia.

_*_

Oh! noite que me guiaste.

Oh! noite mais amável que a alvorada!

Oh! noite que juntaste

Amado com amada,

Amada já no Amado transformada!

_*_

Em meu peito florido

Que, inteiro, para ele só guardava,

Quedou-se adormecido,

E eu, terna, o regalava,

E dos cedros o leque o refrescava.

_*_

Da ameia a brisa amena,

Quando eu os seus cabelos afagava,

Com sua mão serena

Em meu colo soprava,

E meus sentidos todos transportava.

_*_

Esquecida, quedei-me,

O rosto reclinado sobre o Amado;

Tudo cessou. Deixei-me,

Largando meu cuidado

Por entre as açucenas olvidado.

São João da Cruz

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Ensinando a abraçar a cruz

"Os conselhos do mestre São João da Cruz não economizam palavras, como acontecia nos ditados de Jesus. A peregrinação para a montanha a qual São João nos leva não é para pessoas fracas, mas para homens e mulheres corajosos. A subida para a libertação, através da entrega à vontade amorosa e beneplácida de Deus, não pode ser realizada por pessoas acostumadas apenas a sorver o caldo da espiritualidade trivial. Aquele que segue o caminho para a liberdade através da obediência, da restauração através da renúncia, tem de alimentar-se com sólida comida da fé e com pão e o vinho do próprio corpo e sangue de Jesus. Muitas pessoas que hoje procuram uma vida espiritual sucumbem diante da propaganda dos gurus da Nova Era, que prometem a salvação instantânea por meio de uma ou outra técnica de auto-atualização. Eles têm a tendência de fugir da cruz tão depressa como os vaga-lumes fogem das fogueiras. São João não se limita a abraçar a cruz com alegria; ele diz que jamais poderemos subir para o cume da montanha da união com o Divino, a menos que apanhemos a cruz e sigamos a Cristo com coragem. É apenas quando levantamos a cruz para o alto em abandono de fé, de irredutível esperança e de amor abnegado que podemos escapar das prisões da dúvida, do desespero, do preconceito e do ódio por nós mesmos. Enfrentar o sofrimento simbolizado pela cruz é, paradoxalmente, ser liberto da ilusão paralisadora da auto-suficiencia. É ver no sofrimento cruel um convite para a compaixão. É enxergar, na escuridão, o brilho fraco de uma luz maior.” Susan Muto

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Nota do autor

As postagens a princípio serão dedicadas à literatura sobre a noite escura da alma, com inserções de trechos de estudos, biografias e obras de grandes místicos da Igreja Católica. O crescimento e a continuidade deste espaço dependerão da maturidade na fé, do autor e de seus leitores. Desde Já peço a todos Santos místicos que roguem a Deus Pai por mim e pelos que aqui passarem, para que tudo seja conduzido à luz do Espírito Santo. Amém!

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